Conservação das onças-pintadas tem avanços na Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal
Projetos de conservação reforçam o monitoramento e a proteção da onça-pintada. As iniciativas unem ciência, comunidades locais e turismo sustentável para garantir o futuro do maior felino das Américas
Redação
A onça-pintada (Panthera onca), maior felino das Américas, enfrenta uma redução de cerca de 30% na população amazônica nas últimas três décadas. A perda de habitat e os incêndios florestais seguem como principais ameaças à espécie. Em resposta, projetos de monitoramento e conservação se expandem por diferentes biomas brasileiros, com resultados promissores.
Em Mato Grosso, o projeto “Looking for Jaguar”, da Fundação Ecológica Cristalino (FEC), intensificou suas ações nas Reservas Particulares de Patrimônio Natural Cristalino. As câmeras instaladas registraram 16 indivíduos desde 2022, ajudando cientistas a compreender hábitos e deslocamentos da espécie. A iniciativa conta com apoio da Lata Foundation e atua em mais de 7 mil hectares de floresta preservada.
Na Mata Atlântica, o projeto “Salvando a Onça-pintada — uma embaixadora das Américas Brasil”, coordenado pelo WWF-Brasil e parceiros, encerrou seu ciclo em dezembro de 2024 com importantes resultados. Foram registrados mais de 50 indivíduos e 40 espécies de mamíferos, além do fortalecimento da convivência entre comunidades locais e onças-pintadas em regiões como o Alto Paraná e a Serra do Mar.
O projeto também consolidou uma rede de monitoramento populacional e beneficiou mais de 15 mil pessoas com ações educativas. As estratégias de coexistência reduziram o medo e as retaliações em propriedades rurais, tornando as comunidades aliadas diretas na conservação da espécie e na defesa de áreas protegidas.
Outro destaque nacional é o trabalho da ONG Onçafari, que atua principalmente no Pantanal e no Cerrado com o monitoramento e a reintrodução de onças-pintadas em áreas naturais. A organização utiliza armadilhas fotográficas e colares de GPS para acompanhar o comportamento dos animais, promovendo o turismo de observação responsável e a geração de renda local.
O Onçafari já registrou dezenas de indivíduos e contribuiu para reintroduzir onças órfãs na natureza, além de coletar dados fundamentais para a ciência. O projeto também realiza treinamentos para guias e comunidades, mostrando que a convivência harmônica entre humanos e grandes predadores é possível e benéfica.
Com ações integradas na Amazônia, na Mata Atlântica e no Pantanal, o Brasil reforça sua liderança na conservação da onça-pintada. Os esforços combinam ciência, educação ambiental e participação comunitária, garantindo que os olhos dourados do maior felino das Américas continuem a brilhar nas florestas brasileiras.
