Belém: Simon Stiell abre a COP30 com apelo por ação climática mais ousada
Na abertura oficial da COP30, em Belém do Pará, o secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas defendeu que o Acordo de Paris tem gerado avanços reais, mas ressaltou a urgência de acelerar os compromissos globais
Redação
Na manhã de segunda-feira (10), Simon Stiell deu início à 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), destacando a relevância histórica do encontro sediado na Amazônia. Ele afirmou que, uma década após o Acordo de Paris, o mundo finalmente começou a ver a curva de emissões se inclinar para baixo — mas alertou que os esforços ainda são insuficientes.
O secretário reconheceu que governos e mercados estão respondendo às metas climáticas, mas enfatizou que “lamentar não é uma estratégia” e que é necessário agir com mais velocidade e cooperação. A fala destacou o papel de Belém como símbolo de convergência entre natureza, desenvolvimento e compromisso global.
Usando o rio Amazonas como metáfora, Stiell afirmou que o sistema climático global, assim como o rio, é sustentado pela união de muitas forças. Ele defendeu que o processo da COP deve funcionar da mesma forma — com múltiplas frentes de colaboração internacional, para que as metas sejam alcançadas de forma justa e efetiva.
Entre os principais pontos do discurso, Stiell pediu que os países deixem de lado disputas e concentrem esforços em resultados concretos. Ele criticou o atraso nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e ressaltou que “nenhuma nação pode arcar sozinha” com os custos crescentes de desastres climáticos.
O representante da ONU também destacou o avanço das energias renováveis, observando que, em 2025, elas superaram o carvão como principal fonte global de energia. Segundo ele, o investimento em energia limpa atinge recordes e supera o dos combustíveis fósseis na proporção de dois para um — uma oportunidade econômica que precisa ser ampliada.
Stiell lembrou que o financiamento climático de US$ 300 bilhões acordado anteriormente deve ser apenas o início, e que o “Roteiro de Baku a Belém” precisa sair do papel rumo a um investimento de US$ 1,3 trilhão. Ele reforçou a necessidade de implementar metas globais de adaptação e programas tecnológicos que já foram consensuados em conferências anteriores.
Encerrando com tom inspirador, Stiell citou Franklin Roosevelt para convocar líderes a “entrarem na arena” e lutarem juntos contra a crise climática, e não entre si. “Paris está funcionando, mas devemos lutar bravamente por mais”, concluiu, sendo aplaudido de pé pelos delegados presentes em Belém.
