Povo negro, catadores e luta: a consciência que move o País
O Dia da Consciência Negra marca a celebração do povo negro. Da sua cultura, da sua história de luta contra o racismo e contra a desigualdade social. E essa luta se conecta, diariamente, com a luta dos catadores e catadoras de materiais recicláveis — uma categoria onde a presença do povo preto é predominante e onde a resistência se faz presente todos os dias.
Seguimos lutando para que os catadores sejam reconhecidos como trabalhadores essenciais para o país. Somos nós, majoritariamente pretos e pretas, que seguramos a reciclagem no Brasil com nossas mãos, recuperando materiais que voltam ao ciclo produtivo e reduzem os impactos ambientais.
O legado de Palmares e a resistência negra, historicamente, nos ensinam que nenhum avanço vem sem luta, e nós catadores conhecemos bem essa verdade. Mesmo assim, a nossa categoria ainda enfrenta invisibilidade, desigualdade racial e condições de trabalho que não refletem seu papel estratégico. Esta reparação social se faz urgente pelo trabalho realizado pelos catadores, que há muitos anos contribuem com o meio ambiente na recuperação de embalagens, sem o devido reconhecimento como, por exemplo, o pagamento pelos serviços prestados.
Neste 20 de novembro reforço meu compromisso: lutar por remuneração justa, por condições dignas, por justiça social, por políticas públicas que respeitem nossa categoria e por uma sociedade que enxergue os catadores como agentes ambientais fundamentais.
A Consciência Negra não é apenas sobre o passado; é sobre transformar o presente. Celebramos a cultura e a história do povo negro. É sobre enfrentar o racismo estrutural que ainda marca a realidade dos catadores.
Como catador, como preto e como presidente da ANCAT sigo firme nessa luta. Porque resistência é a nossa história e transformação também.
