Apesar da queda nos números, Mata Atlântica segue sob forte ameaça do desmatamento

Meio Ambiente Nacional

Apesar da queda nos números, Mata Atlântica segue sob forte ameaça do desmatamento

Mesmo com a redução registrada em 2024, o desmatamento da Mata Atlântica continua avançando sobre áreas de alta biodiversidade, colocando em risco serviços ambientais essenciais para o Brasil

Os estados do Piauí e da Bahia lideraram o ranking de desmatamento, com mais de 49 mil hectares somados - © Fernando Frazão / Agência Brasil

Redação

A área total desmatada no bioma da Mata Atlântica caiu 14% em 2024, segundo dados do Atlas da Mata Atlântica e do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD). Apesar do resultado positivo, a perda de matas maduras — mais ricas em biodiversidade e estoque de carbono — teve queda de apenas 2%.

A Fundação SOS Mata Atlântica avalia que a redução ainda está muito distante do objetivo do desmatamento zero. As perdas seguem elevadas em regiões historicamente críticas, avançando sobre áreas insubstituíveis para o equilíbrio climático e ambiental.

De acordo com o diretor executivo da fundação, Luís Fernando Guedes Pinto, o desmatamento continua sendo uma ameaça grave ao futuro do bioma. A Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população brasileira e responde por mais de 80% do PIB nacional.

Ele alerta que, em meio às crises climáticas e hídricas, a degradação do bioma amplia riscos à qualidade de vida, à segurança alimentar e à economia. A perda de florestas compromete serviços ecossistêmicos fundamentais para o país.

O Atlas da Mata Atlântica, coordenado pela SOS Mata Atlântica e pelo INPE, monitora fragmentos acima de três hectares de mata madura. Em 2024, a área desmatada caiu de 14.697 para 14.366 hectares, representando redução de apenas 2%.

Mesmo assim, a supressão dessas áreas resultou na emissão de cerca de 6,87 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. O volume é comparável às emissões anuais de países inteiros ou de grandes unidades federativas brasileiras.

Já o SAD, em parceria com o MapBiomas, registrou queda de 14% no total desmatado, passando de 82.531 hectares em 2023 para 71.109 hectares em 2024. Porém, a área média por evento aumentou, indicando desmatamentos mais concentrados.

Os estados do Piauí e da Bahia lideraram o ranking de desmatamento, com mais de 49 mil hectares somados. Esses números reforçam a pressão contínua sobre o bioma, especialmente em áreas privadas.

Segundo os levantamentos, a expansão da agropecuária segue como o principal vetor do desmatamento da Mata Atlântica. Mais de 70% das áreas suprimidas em 2024 estavam em terras privadas ou sem registro fundiário formal.

A fundação destaca a necessidade de aplicar rigorosamente a Lei da Mata Atlântica, que só permite o desmatamento em situações excepcionais. A fiscalização e o combate ao financiamento de atividades ilegais são apontados como desafios centrais.

Além da ação humana, eventos climáticos extremos também impactaram o bioma em 2024. No Rio Grande do Sul, deslizamentos causados por chuvas intensas responderam pela maior parte do desmatamento registrado no estado.

Esses eventos naturais atingiram regiões de alta declividade, como serras e morros, onde o solo raso e a saturação por água favorecem os deslizamentos. A floresta acaba sendo arrancada junto com o solo.

Segundo Guedes Pinto, o desmatamento provocado por efeitos climáticos já ameaça inclusive Unidades de Conservação. Ele defende uma ação integrada entre proteção ambiental, uso do solo e adaptação climática para evitar novos desastres.

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