MPSP cobra ações urgentes para conter erosão que ameaça ecossistemas na Ilha do Cardoso

Biodiversidade São Paulo Sustentabilidade

MPSP cobra ações para conter erosão que ameaça ecossistemas na Ilha do Cardoso

O Ministério Público de São Paulo ingressou com ação civil pública para exigir medidas urgentes do Estado contra a erosão costeira na Ilha do Cardoso, que ameaça o meio ambiente e a segurança de comunidades tradicionais em Cananéia

Redação

O Ministério Público do Estado de São Paulo ajuizou ação civil pública para exigir medidas imediatas contra o avanço da erosão costeira na Ilha do Cardoso, em Cananéia. O objetivo é obrigar o Governo do Estado e a Fundação Florestal a adotarem providências que protejam o meio ambiente e as comunidades tradicionais da região.

A ação foi proposta pelo promotor de Justiça Regional do Meio Ambiente do Vale do Ribeira, Paulo Campos dos Santos. Em caráter de urgência, o MP requer a conclusão de estudos técnicos e ambientais para identificar as causas da erosão e apontar soluções viáveis com ganho ambiental efetivo.

Entre os pedidos apresentados estão a implementação de medidas para conter o avanço do mar e a adoção de providências imediatas, caso os estudos confirmem a viabilidade das intervenções. O MP também solicita a concessão de autorizações administrativas e ambientais necessárias para eventual realocação de comunidades em áreas seguras.

A Ilha do Cardoso é integralmente protegida por parque estadual e abriga cerca de 400 moradores, distribuídos em comunidades caiçaras e aldeias indígenas. Esses grupos mantêm modos de vida tradicionais há cerca de 200 anos, diretamente ligados ao equilíbrio ambiental da região.

Segundo a Promotoria, o território sofre há décadas com processos erosivos intensos, agravados pela elevação do nível do mar e por eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas. Em 2018, a abertura de uma nova barra no Canal do Ararapira alterou a configuração da ilha e forçou a realocação de comunidades inteiras.

Duas áreas são consideradas críticas: o trecho do Melão, onde a faixa de terra se estreitou drasticamente, e a região da Pereirinha, onde a erosão ameaça moradias e estruturas comunitárias. Vistorias técnicas confirmaram o risco iminente de novos rompimentos.

Embora os órgãos estaduais reconheçam a gravidade da situação, o MP aponta omissão do poder público pela falta de prazos e ações concretas. Para a Promotoria, a inércia coloca em risco tanto a preservação ambiental da unidade de conservação quanto a segurança das populações tradicionais.

Compartilhe nas Redes Sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *