Caso Orelha: brutalidade contra cão choca o país e expõe falhas na proteção animal
A morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, mobilizou o país e ganhou repercussão internacional ao expor a investigação de agressões atribuídas a adolescentes e suspeitas de coação de testemunha
Redação
As brutais agressões que resultaram na morte do cão comunitário Orelha, no dia 4 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis (SC), provocou comoção nacional e repercussão internacional. Dócil e querido por moradores e turistas, o animal era símbolo de convivência e cuidado coletivo em uma das áreas mais frequentadas do litoral catarinense.
As investigações da Polícia Civil apontam que quatro adolescentes participaram das agressões que levaram à morte do cão. Dois deles haviam deixado o Brasil após o crime para uma viagem aos Estados Unidos, mas retornaram ao país após monitoramento realizado em conjunto com a Polícia Federal.
Com o retorno, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão e recolheu os celulares dos adolescentes investigados. Eles foram intimados a prestar depoimento, embora ainda não haja data definida para as oitivas, que seguem sob sigilo conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O caso é apurado pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei (DEACLE), que instaurou auto de apuração de ato infracional. Os nomes e idades dos suspeitos não foram divulgados para preservar os direitos legais previstos para menores de 18 anos.
Além dos adolescentes, três adultos — dois pais e um tio — foram indiciados por suspeita de coagir uma testemunha durante as investigações. Segundo a polícia, a vítima seria um vigilante de condomínio que possuía uma imagem relevante para o esclarecimento do crime.
De acordo com a Polícia Civil, Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro e encontrado gravemente ferido por frequentadores da praia. Ele foi socorrido e levado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade das lesões, acabou submetido à eutanásia no dia seguinte.
Laudos periciais indicaram que o cão sofreu uma pancada forte na cabeça com objeto contundente, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na agressão não foi localizado, e mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para complementar a investigação.
A apuração também investiga uma tentativa de afogamento de outro cão comunitário, chamado Caramelo, na mesma praia. Testemunhas relataram que adolescentes teriam jogado o animal no mar, o que reforça a gravidade e a reincidência das condutas violentas.
A morte de Orelha gerou um abaixo-assinado online que pede justiça e punição exemplar aos responsáveis, além do fortalecimento de políticas públicas de proteção animal. Para protetores e ativistas, o caso não pode terminar em impunidade e precisa servir de marco na defesa da vida animal no Brasil.
