20 de Novembro: a luz que brilha no santuário do ser

Artigos de Ewerton Galvão

20 de Novembro: a luz que brilha no santuário do ser

No Dia Nacional da Consciência Negra, o Brasil é convidado a olhar além do debate político e social e a focar no que há de mais inegociável em cada brasileiro: a força da essência.

A história nos ensina que o racismo é mais do que preconceito; é um sistema de negação. Ele opera como um filtro que tenta definir quem você é, negando sua complexidade e reduzindo seu valor.

O desafio de nossa nação não é apenas contra a forma dessa negação (o fenótipo, o tom da pele), mas sim contra a ideia de que alguém pode nos dizer quem devemos ser. A verdadeira luta pela liberdade hoje é a Alforria da Consciência: o direito de ser para si.

O Brasil que não é: desativando o filtro

Vivemos cercados por uma cultura da performance e da “embalagem”, onde o discurso e o símbolo valem mais do que a prática e a transformação. O sistema de negação tenta nos convencer de que nosso valor é condicional, que ele pode ser retirado por um “Triturador de Almas” que opera no medo, na superficialidade e na divisão.

Esse filtro tem um único objetivo: nos reduzir a arquétipos ou utensílios. Ele ignora o ser complexo que somos – capazes de criar, sentir e transcender – e nos impõe a imagem do que somos obrigados a reagir.

Neste cenário de ruído, a primeira e mais poderosa afirmação é: “O Brasil que não é branco, não é máquina, não é palavra morta.”
É o ato de rejeitar o que a negação quer que sejamos, para podermos afirmar quem realmente somos.

O santuário do corpo e a luz inegociável

A libertação começa onde o sistema de negação não pode alcançar: no santuário do corpo. Essa não é apenas uma metáfora biológica, mas sim a afirmação da nossa essência inegociável – a luz que brilha independentemente do marcador racial que a sociedade tenta impor.

O valor que carregamos não é dado pelo outro, pela lei ou pela riqueza; ele é intrínseco. Se há valor para a vida, há luz. E essa luz é a prova de que “Ninguém é preso pelo valor que não tem.”

Esta é a fundação da Soberania Perceptiva: o poder de nos posicionarmos no mundo, de construir nosso próprio arcabouço de sentido que impede que o medo ou o preconceito do outro nos definam. O nosso posicionamento determina o limite do outro, não o contrário. A coragem de ser para si é a chave que destrói a última prisão: a escravidão da consciência.

Raiz no tempo: a força criativa do brasileiro

A maior força do brasileiro, especialmente do negro e do mestiço, reside na capacidade de criar o mundo que o outro habita, mesmo tendo sua “raiz no espaço” (o direito à terra e à posse) historicamente negada.

Nossa verdadeira raiz está no tempo: na persistência da arte, da fé, do trabalho e da inventividade. É a força que conforma a realidade. É a capacidade de ser o “coringa” – o elemento imprevisível que pode ser tudo, porque a sociedade parou de esperar algo dele.

Essa força criativa é alimentada pela Espiritualidade da Base – a fé vivida na prática, na caridade e na dor empática que se recusa a não sentir a dor do próximo. É a busca pela Essência Operativa que o cristianismo primitivo valorizava, e que se opõe ao formalismo vazio.

Reconstruir a percepção e fortalecer o espírito

No Dia da Consciência Negra, o convite mais profundo é para a maturação. É preciso:

Descontaminar as Palavras: Retirar o veneno e a carga de ódio que a polarização e a superfície injetam na linguagem.

Fortalecer o Espírito: Rejeitar a instrumentalização da fé e buscar a prática genuína (a Alteridade), onde a luz interior não cede ao medo.

Ao fazermos isso, iniciamos a reconstrução da percepção. A luta de hoje é pela Alforria da Consciência que nos permite não apenas lutar contra o racismo, mas existir apesar dele, afirmando que a Luz do Ser é a única métrica de valor que realmente importa. É tempo de ser para si e, ao fazê-lo, libertar o Brasil.

Ewerton Oliveira Galvão é Publicitário, Músico e Artista Plástico poaense.

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1 thought on “20 de Novembro: a luz que brilha no santuário do ser

  1. Artigo importantíssimo, de grande valor reflexivo, que nos remete à necessidade de realmente fazer valer nosso valor enquanto ser, independentemente de nossa cor da pele ou de condição socioeconômica. Parabéns, prezado amigo Ewerton Galvão!

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