TI Cerrito enfrenta impactos ambientais e luta por reparação quase uma década após rompimento de barragem

Causa Indígena Nacional

Terra Indígena Cerrito enfrenta impactos ambientais quase uma década após rompimento de barragem

Quase dez anos após o rompimento de uma barragem no Mato Grosso do Sul, a TI Cerrito, do povo Guarani Nhandeva, ainda convive com os impactos ambientais provocados pela destruição do córrego Duarte-Kuê

A luta pela terra se estende mesmo depois de sua conquista: protegê-la de empreendimentos que a impactam ou lidar com impactos em curso - Maria Câmara/Cimi-MS

Por Redação

Quase dez anos após o rompimento de uma barragem no Mato Grosso do Sul, a Terra Indígena Cerrito, do povo Guarani Nhandeva, ainda convive com os impactos ambientais provocados pela destruição do córrego Duarte-Kuê. A comunidade busca justiça, reparação dos danos e proteção do território diante da pressão da expansão agrícola e da contaminação por agrotóxicos.

No final de 2016, o rompimento de uma barragem da Usina Rio Paraná, localizada na nascente do córrego, provocou uma onda de impactos sobre o curso d’água considerado essencial para a comunidade indígena. Processos erosivos, assoreamento, destruição da vegetação ciliar e mortandade de peixes alteraram profundamente o ambiente.

Segundo relatos de moradores, o córrego, antes marcado pela presença de peixes, água abundante e vegetação, passou a apresentar condições que comprometem o consumo e a pesca. As mudanças também afetaram práticas tradicionais e a segurança alimentar dos Guarani Nhandeva que vivem no território.

Além dos efeitos provocados pelo rompimento da barragem, a comunidade enfrenta a contaminação associada ao uso de agrotóxicos em lavouras que cercam a Terra Indígena. Durante os períodos de chuva, essas substâncias podem atingir nascentes e cursos d’água, agravando os impactos sobre a biodiversidade e dificultando o acesso à água.

Em Cerrito, as novas gerações se engajam na defesa do território, no conhecimento sobre ele e o compromisso com sua proteção - Maria Câmara/Cimi-MS

Após denúncias, a Funai encaminhou o caso ao Ministério Público Federal, enquanto técnicos do Ibama e do Imasul realizaram vistorias e confirmaram danos ambientais. A Usina Rio Paraná foi autuada pelo Ibama e notificada a reparar os impactos registrados nas áreas afetadas, incluindo a Terra Indígena Cerrito.

O processo envolvendo a empresa permanece em busca de uma solução, após tentativas de conciliação extrajudicial que não avançaram. A expectativa da comunidade é que uma audiência judicial possa contribuir para a responsabilização e para a construção de um acordo que contemple as necessidades dos moradores e a recuperação ambiental.

Com 1.964 hectares, a TI Cerrito é território tradicional do povo Guarani Nhandeva e foi declarada em 1991 e homologada em 1992. Para as lideranças, preservar a natureza significa proteger a saúde, a medicina tradicional, o artesanato, a cultura e o futuro das novas gerações, tornando a reparação ambiental também uma questão de dignidade e justiça.

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