Dia do Assistente Social: os profissionais que defendem constantemente a dignidade humana

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Dia do Assistente Social: os profissionais que defendem constantemente a dignidade humana

Profissionais que atuam na linha de frente da vulnerabilidade social, os assistentes sociais desempenham papel essencial na garantia de direitos e na promoção da dignidade humana. 15 de maio é o dia dedicado a eles

Samuel Ferreira

No Brasil, o Dia do Assistente Social é comemorado em 15 de maio, mas nem todos entendem realmente qual é o verdadeiro papel do profissional dessa área, muitas vezes confundindo-o com um mero intermediador do assistencialismo básico.

Na verdade, o trabalho do assistente social vai muito além de ser apenas uma ponte entre as instituições e as pessoas atendidas. Trata-se de uma profissão que exige sensibilidade, ética, preparo técnico e, acima de tudo, compromisso com a dignidade humana.

O assistente social atua diretamente com pessoas em situação de vulnerabilidade social, oferecendo acolhimento, orientação e encaminhamento adequado. Seu trabalho está presente em áreas fundamentais, como saúde, educação, assistência social, habitação e projetos comunitários, sempre buscando assegurar direitos e promover inclusão social.

Nos hospitais, por exemplo, esses profissionais acolhem pacientes e orientam familiares em momentos delicados. Já nas escolas, acompanham estudantes e famílias que enfrentam dificuldades sociais e emocionais, contribuindo para um ambiente mais justo e acolhedor. Em projetos sociais, também desempenham papel importante na proteção de crianças, idosos e pessoas em situação de risco.

Muito além de distribuir benefícios ou encaminhar documentos, o assistente social trabalha na construção da cidadania. Ele orienta a população sobre direitos garantidos por lei, auxilia no acesso a políticas públicas e atua para reduzir desigualdades que ainda atingem milhares de brasileiros diariamente.

A profissão exige de quem a elege um certo grau de simpatia, carisma e senso de justiça social, como exemplifica a assistente social Jucinélia Silva, de 48 anos, moradora de São Bernardo do Campo. Ela relatou à reportagem que a motivação para a escolha dessa profissão “surgiu do desejo de impactar positivamente a vida das pessoas vulneráveis e promover justiça social”.

Segundo ela, o serviço social tem extrema importância junto à comunidade, uma vez que, no exercício do trabalho, o assistente social conecta as necessidades das pessoas aos recursos do Estado, garantindo dignidade e justiça social.

Jucinélia: escolha da profissão surgiu do desejo de impactar positivamente a vida das pessoas vulneráveis - Foto: Facebook

Indagada sobre quais situações mais marcam emocionalmente no exercício de seu trabalho, ela ressaltou que são momentos em que identifica demandas que outros profissionais não percebem.

“É maravilhoso quando conseguimos articular ações de inclusão social e o acesso de famílias vulneráveis a direitos básicos”, frisou.

Instada a dar sua opinião sobre o que ainda falta para a sociedade compreender melhor a atuação de uma assistente social, ela foi enfática: “Primeiro, valorizar o trabalhador no Brasil. E assistente social é um trabalhador, profissional”, finalizou.

Alta demanda e pouca estrutura: desafios constantes

Por sua vez, a assistente social aposentada Maria Grizante, 63 anos, moradora de Santo André, sinalizou que, atualmente, os maiores desafios enfrentados pelos profissionais do serviço social são o volume da demanda, que não para de crescer, o empobrecimento significativo da população e o acolhimento aos refugiados de outros países em situações de guerra e/ou catástrofes.

Pela sua vasta experiência profissional e vivência pública, ela ainda apontou o aumento expressivo no número de usuários de drogas lícitas — mas principalmente das ilícitas — e das pessoas em situação de rua, entre outros desafios.

Ela destacou que, nos últimos anos, a demanda social tem se modificado justamente pela falta de políticas públicas de enfrentamento à pobreza e à miserabilidade em que se encontra a população, principalmente nas zonas periféricas e nos estados mais pobres do país. Soma-se a esse fator a falta de estrutura suficiente aos profissionais no atendimento à população.

“Em muitos órgãos públicos, o assistente social nem local adequado para atendimento social tem. Há casos em que se divide sala com colegas e até com profissionais de outras áreas, ainda que numa perspectiva multiprofissional. Quando o serviço tem suas especificidades, profissionais que atendem população de rua prestam o primeiro atendimento no local onde a demanda está”, afirmou.

Para a experiente Maria Grizante, alta demanda e pouca estrutura são desafios constantes - Foto: arquivo pessoal

Maria também ressaltou que, em muitos órgãos de caráter filantrópico, ONGs e afins, o assistente social realiza atendimentos sem a infraestrutura necessária para conferir o mínimo de dignidade ao profissional da área e às pessoas assistidas.

Assim como outros profissionais que lidam constantemente com situações sociais que requerem muito controle emocional, o assistente social ainda precisa aprender a lidar emocionalmente com situações de vulnerabilidade social.

“O profissional, no decorrer de sua jornada profissional, aprende, a duras penas, a lidar com aquilo que é possível em termos de respostas efetivas à demanda atendida. Entendendo que as respostas não dependem apenas de sua atuação profissional, faz-se imprescindível um acompanhamento psicoterápico, seja individual ou em grupo, bem como momentos em família, atividades de lazer e um ‘desligar a chave’ quando encerra seu expediente de trabalho”, pontuou.

“E esse cuidado consigo deve ser levado a sério, para que não ocorra uma eventual fadiga por compaixão. Cuidar-se biopsicossocial e espiritualmente, a meu ver, é premissa deste importante trabalhador social”, concluiu.

A recompensa de um trabalho humanitário

Mesmo diante de todas essas dificuldades e barreiras, há muitos casos de recompensa pessoal pelos objetivos alcançados, como contou a assistente social Edna Almeida, de 47 anos, lembrando de um caso que marcou sua trajetória profissional.

“Trabalho com população em situação de rua, quando um acolhido, usuário de crack há 30 anos, que já tinha passado por várias internações, veio para o acolhimento pelo qual sou responsável e, através de uma escuta humanizada, hoje está limpo há 2 anos, trabalha no regime CLT e mora sozinho, mas sempre em vigilância. Foi fazer uma visita no acolhimento e todos os outros acolhidos falaram: ‘Se ele conseguiu, nós conseguiremos também’”, relatou ela, que é moradora de São Bernardo do Campo.

Na visão da profissional, o serviço social oferece uma grande contribuição para a garantia de direitos ao viabilizar o acesso da população às políticas públicas (saúde, habitação e educação), atuar no enfrentamento de vulnerabilidades sociais e fortalecer a organização política dos cidadãos.

Perguntada sobre que conselho daria para quem deseja seguir carreira no serviço social, ela respondeu prontamente: “Que goste de pessoas, porque, quando falamos de serviço social, não é assistencialismo, é garantia de direitos”.

“Homenagear um assistente social é reconhecer a luta por justiça social, empatia e compromisso com a transformação de vidas”, finalizou.

A assistente social Edna Almeida destaca a recompensa e alegria na recuperação da dignidade humana - Foto: arquivo pessoal

O relevante simbolismo da data

A data foi instituída oficialmente em 1962, por meio da Lei nº 3.252, e desde então passou a representar o reconhecimento da importância desses profissionais para a sociedade brasileira. O serviço social ganhou ainda mais relevância com a ampliação dos direitos sociais previstos na Constituição e com a necessidade de garantir que a população tenha acesso aos serviços públicos essenciais.

A profissão exige dedicação constante, capacidade de ouvir e compreender diferentes realidades sociais. Cada atendimento requer atenção, respeito e humanidade, já que muitas pessoas chegam fragilizadas, enfrentando problemas financeiros, familiares ou emocionais. O assistente social, nesse contexto, torna-se uma referência de apoio e orientação.

Celebrar o Dia do Assistente Social é reconhecer a importância desses profissionais que lutam diariamente por igualdade, justiça social e dignidade para todos. Mais do que homenagear uma categoria, a data reforça a necessidade de valorizar um trabalho essencial para a construção de uma sociedade mais humana e solidária.

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2 thoughts on “Dia do Assistente Social: os profissionais que defendem constantemente a dignidade humana

  1. A matéria em homenagem ao Assistente social é muito importante para a Sociedade conhecer um pouco do trabalho desse profissional. Em nome de das 120mil Assistentes Social do Brasil minha Gratidão!

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