Jerônima Mesquita: a mulher que transformou a luta feminina no Brasil

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Jerônima Mesquita: a mulher que transformou a luta feminina no Brasil

Jerônima Mesquita (5ª da esquerda p/ a direita) e outras ativistas na exposição da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), nos anos 30 - Foto: Reprodução FBPF

No dia 30 de abril comemora-se uma data que representa um ato de resistência e um chamado para celebrar o Dia Nacional da Mulher, instituído em 1980 (46 anos) pela Lei nº 6.791, de 9 de junho de 1980. O dia representa um marco de luta e uma convocação para honrar a força, coragem e inteligência prática da enfermeira e sufragista Jerônima Mesquita (1880-1972).

Vivendo em Leopoldina, Minas Gerais, os pais de uma forte menina receberam a bênção do seu nascimento no dia 30 de abril de 1880, na Fazenda Paraíso, distrito de Providência. O Sr. Jerônimo de Mesquita e Dona Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita eram filhos de prósperos cafeicultores e escolheram o nome de Jerônima Mesquita para a filha do casal. 

Embora personificasse o perfil culto, instruído e abastado da alta sociedade no território nacional, sua trajetória ultrapassava a superficialidade elegante que costumava revestir a elite no Brasil do século XIX (19). Tanto pela conduta com suas pessoas escravizadas quanto pela pedagogia aplicada aos filhos, o casal singularizava-se no seio da fidalguia brasileira.

Viúva aos 34 anos e mãe de cinco crianças, Dona Maria José assumiu o acompanhamento educacional dos filhos e buscou aprimoramento pessoal, dividindo seu tempo entre o Brasil e a Europa. Sua belíssima mansão, situada no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, era o local perfeito para receber incontáveis amigos e convidados, entre eles um grupo composto por celebridades, criadores e políticos.

A jovem Jerônima Mesquita contraiu matrimônio aos 17 anos de idade e deu à luz um menino, separando-se do esposo aos 20 anos, em um período anterior à legalização do divórcio no Brasil. A família mudou-se para a Europa no século XX (20) devido ao estigma social gerado pela separação.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Jerônima Mesquita engajou-se voluntariamente na França e na Suíça. Aquele ciclo de desempenho na Cruz Vermelha no continente europeu foi imprescindível para sua capacitação antes de retornar para o território brasileiro e participar ativamente da fundação da Cruz Vermelha Brasileira. 

Na continuidade das suas iniciativas sociais, em conjunto com suas amigas Stella Guerra Duval, Bertha Lutz e sua mãe, nasceu o projeto do Hospital Pró-Matre, no Rio de Janeiro. A mesma equipe feminina prestou assistência de enfermagem durante todo o período do surto da gripe espanhola.

Com o fim da guerra, Jerônima Mesquita criou o Movimento Bandeirante Feminino no Brasil, no ano de 1919. O objetivo era educar crianças e jovens. Três anos mais tarde, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) e tornou-se uma das pioneiras na luta pelo direito ao voto feminino brasileiro, participando do movimento sufragista de 1932.

A herança deixada por Jerônima Mesquita sinaliza uma carreira repleta de realizações no âmbito social, destacando-se: o direito ao voto da mulher, a custódia dos filhos caso haja a separação do casal, o surgimento da pílula anticoncepcional no país, a instituição do divórcio, a homologação da Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio etc.

É imperativo honrar a memória de uma figura fundamental na luta pelos direitos do sexo feminino. Jerônima Mesquita perpetuou os avanços conquistados na construção de um futuro mais justo, seguro e digno para as mulheres brasileiras.

Wilma Moraes é presidente fundadora e voluntária social do Instituto de Projetos Educacionais e Sociais – IPES.

Edgar Augusto é estudante de Direito e voluntário social do Instituto de Projetos Educacionais e Sociais – IPES.

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