Arraial Solidário em Santo André

Artigo de Wilma Moraes Inclusão Social Santo André

Arraial Solidário em Santo André

Por Wilma Maria Moraes

O fascínio que norteia emocionalmente o mês de junho e suas festas fundamenta-se na laboração das memórias afetivas da infância, no tocante à percepção do senso de coletividade. Tais fatores cooperam no sentido de oferecer bem-aventuranças e aliviar as tensões do dia a dia. Os alicerces os quais amparam esses desdobramentos dos fenômenos emocionais integram nostalgia, aconchego e tradição.

Sabores, saberes e odores dos quitutes típicos das festas juninas entrelaçam-se às melodias vibrantes e envolventes. Tais ritmos capazes de fazer o corpo querer se mover, criando uma verdadeira poesia em forma de festa. Esse método é denominado gerenciamento do estresse.

Isso é fundamental, pois faz florescer sentimento de solidariedade e pertencimento. Dançar a quadrilha matuta, envolver-se nas atividades conjuntas para a organização dos festejos, desfrutar da hospitalidade da comunidade, além de apoiar ações beneficentes e a mobilização social junto às instituições da região, é uma maneira de enaltecer a identidade cultural e promover o equilíbrio emocional e a serenidade. Trata-se de algo de grande valor no decorrer dos imprevistos da maturidade. Resgatar o patrimônio cultural atua como eixo de transformação da sociedade.

Estudiosos da psique humana ressaltam ser a vivência das festas do mês de junho uma função útil de inserção social e válvula de escape.

Neste ano não podia ser diferente. O Paço Municipal de Santo André pegou fogo! Pudera, o calor da paixão pelo futebol, a estreia do Brasil na Copa do Mundo e o coração voltado a ajudar o próximo demonstrou que a família andreense reconheceu todo o labor, esforço e perseverança dos trabalhadores da prefeitura.

Uma vez mais, quero manifestar o agradecimento do Instituto Ipes  à equipe da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social. E de uma maneira toda jeitosinha à Alexandra Segantini, nossa orientadora exemplar. Diante dela, até a chuva deu trégua! Outra vez ela fez a receita certinha: misturou a alegria com o contentamento. Adicionou pitadas de paz e boa vontade, foi mexendo devagar e juntou xícaras de felicidade, entusiasmo e bem-querer. Salpicou o amor, a harmonia,  a proteção e a prosperidade. Por fim, polvilhou tudo com a gratidão e a esperança a gosto. 

A síntese poética de Olavo Bilac é o reflexo sublime desta festa. Junho: Não há casinha modesta que não se atavie em festa, nestas noites a brilhar. Não se recordam tristezas; estalam bichas chinesas, estouram foguetes no ar. Fogos alegres, pistolas, bombas! Ao som das violas, ardei! Cantai! Crepitai! Num largo e claro sorriso, seja a Terra um paraíso! Folgai, crianças, folgai!

Wilma Maria Moraes é presidente fundadora do Instituto de Projetos Educacionais e Sociais do Grande ABC.

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