Feijoada beneficente reúne centenas de famílias e amplia recursos para o Abrigo Fraternal

Direitos Humanos Santo André

Fraternidade e espiritualidade: campanha beneficente fortalece o acolhimento aos idosos do Abrigo Fraternal

Cerca de 370 pessoas prestigiaram a 6ª edição da feijoada beneficente, iniciativa que promove união e confraternização entre famílias, ao mesmo tempo em que angaria fundos para garantir melhor qualidade de vida aos idosos

Centenas de pessoas lotaram o salão social e participaram do evento em prol dos idosos – Imagens: Samuel Ferreira

Samuel Ferreira

No bonito sábado do dia 26 de setembro, o clima foi generoso e propiciou um tempo ensolarado para a realização da 6ª Feijoada do Abrigo Fraternal, evento criado para angariar fundos em prol dos idosos da instituição, existente no Jardim do Lago, em Suzano.

Reunindo centenas de famílias apoiadoras da causa, o almoço foi promovido na Chácara Paraíso dos Lagos Laranjeiras, em Ribeirão Pires (SP), local exuberante, com ponte cinematográfica, lago com tartarugas, playground e cavalos à vista.

O evento contou com aproximadamente 370 pessoas, a maioria delas formada por membros da Congregação Cristã no Brasil (CCB), além da presença do Coronel Telhada e do Capitão Telhada (Telhadinha), ambos recentemente eleitos para as Câmaras Federal e Estadual, respectivamente. 

Após a degustação da suculenta feijoada – com direito a água, suco, chopp e refrigerante à vontade –, foram apresentados os membros da atual gestão e explanada a história da instituição por meio de projeção audiovisual. Em seguida, houve o sorteio de vários brindes e a realização de um leilão de alguns materiais doados à entidade. 

O clima era realmente de festa, encontro de amigos e realização de novas amizades, com direito a selfies e sorrisos largos. Enquanto os adultos conversavam descontraidamente, crianças sob o cuidado dos pais corriam, olhavam os cavalos e se divertiam no playground instalado na relva verde. 

Ao mesmo tempo, grupos familiares se aproximavam das respectivas bancas de artesanato, bíblias e livros infantis, abajures, peças decorativas, vinhos finos, entre outras novidades, para apreciar e adquirir o item de interesse. 

Mediante o esforço dos associados para o levantamento de fundos, constata-se que os almoços, jantares, cafés beneficentes, oficinas de artesanato, sorteios e leilões dos materiais doados – além do projeto de adoção – são ações sabiamente implementadas pela associação para buscar apoio das famílias e, ao mesmo tempo, conscientizá-las sobre a importante missão de amparo aos idosos.

Cuidado, carinho e colaboração

Para a técnica de enfermagem Regiane Ferreira – uma das profissionais contratadas pelo Abrigo e apoiadora das causas sociais da entidade –, essas ações em prol dos idosos são muito importantes para a sociedade, porque valorizam a terceira idade, fase da vida que mais precisa de carinho, atenção e cuidados especiais.

“Eu acho muito importante, porque envolve muitas coisas. Envolve a aproximação da população com os idosos. A gente passa a conhecer como é o convívio dos idosos, quais são as necessidades dos idosos. A gente promove neste encontro várias emoções: encontro de amigos, a gente passa a ficar mais unidos, passa a conhecer melhor a necessidade de colaborar com o Abrigo Fraternal. É importantíssimo a gente ter essa consciência de que eles precisam de cuidados, carinho e colaboração”, afirmou.

A técnica Regiane Ferreira destaca a importância das ações beneficentes para o bem-estar dos idosos

Semelhante entendimento tem Cris Lima, uma das primeiras voluntárias do Abrigo e participante do grupo de produção dos produtos de artesanato que são vendidos  nos eventos. Ela também integra o corpo de vendedoras que atende o público em todos os eventos em prol do abrigo.

“O Abrigo é um lugar onde os nossos velhinhos encontram a paz, o amor e o acolhimento de pessoas como eu, que se dedicam para cuidar, sem nenhuma intenção financeira. E nós estamos aqui hoje vendendo o que nós mesmas produzimos durante o decorrer dos meses”, disse, apontando diversas peças de artesanato criadas por ela e sua equipe num ateliê de costura em Santo André. 

“Lá também são voluntárias, assim como eu, que trabalhamos durante o ano todo para atender e suprir a necessidade dos nossos velhinhos. Se você tem um bom coração, você também vai abraçar esta causa”, salientou. 

Ela lembra que, além da ajuda financeira, a instituição recebe outros tipos de auxílio, como doações de roupas, sapatos, peças para cozinha e eletrodomésticos. “Tudo o que estiver ao seu alcance a gente está pronta a receber, porque, na verdade, a gente ajuda sem olhar a quem, e o retorno vem, porque Deus não fica devendo nada para ninguém. Ele é perfeito em tudo o que faz e, se ele nos move, é por uma causa maior, e Ele sempre nos ampara. Então, vem, abrace esta causa”, afirmou.

“Se você compra um convite de um evento desse, se você vem e compra uma flor, um guardanapo, você não está só ajudando os velhinhos, você está se ajudando, porque, quando a gente faz o bem, o bem volta para nós. Então eu chamo e clamo a qualquer um que esteja disposto, porque isso aqui é um bem que, na maioria das vezes, a gente fala ‘é para o outro’; não, é para nós. Faz um bem danado para nossa alma”, concluiu.

A voluntária Cris Lima ressalta o amor e a solidariedade na produção de artesanato em prol dos idosos

Ação social e amparo espiritual

A voluntária Vivian Cristiane Sansin Vido atua em prol do Abrigo Fraternal desde antes de sua fundação, no início da terraplanagem do terreno. Desde então, ela já desempenhava o importante papel de arrecadar recursos para a construção da entidade e, posteriormente, para a manutenção dos idosos acolhidos.

Com um certo entusiasmo, ela lembrou que fez parte do conselho provedor, no qual participava de visitas aos idosos em suas residências, visando ao futuro acolhimento na instituição. Atualmente, Vivian se dedica à organização dos bazares, por meio da produção de peças na sala de costura voluntária em Santo André. 

“É muito importante, porque é um material maravilhoso, de excelente qualidade, desde jogos americanos, porta-guardanapos, mesa posta, muito lindo, bolsas, aventais, tudo feito com muito amor, para que nós possamos vender e levantar fundos”, disse.

 “Temos a parte das bíblias. Uma diversidade de bíblias e livros infantis, sempre mantendo essa ligação espiritual, com cunho evangélico, para poder agregar também nas arrecadações”, afirmou, frisando que a casa de idosos sedia cultos da Congregação Cristã no Brasil.  

Ela também defendeu a relevância das ações sociais do abrigo junto à sociedade. “É muito importante, porque muitas pessoas que vêm participar desse evento, muitas das vezes não conhecem os idosos, mas abraçam esta causa conosco. O custo deles ali é muito caro, mas esse amor que eles recebem através de uma doação, um abraço, tudo isso é muito importante. E tem que ter uma certa constância, porque realmente o custo é muito caro, porque o atendimento é de primeiríssima qualidade, aprovado pela ANVISA e todas as entidades que cuidam desse setor”, explicou.

Vivian Cristiane: dedicação à organização dos bazares e à produção de peças na sala de costura voluntária em Santo André

Um exemplo dessa constância é o trabalhador Osni Gonçalves, um dos convidados do evento e morador do bairro Vila Prudente, em São Paulo. “Esta é a terceira feijoada que eu venho. É maravilhoso, uma forma de a gente colaborar com as pessoas que têm necessidade, não têm onde ficar. Isso ajuda o abrigo e é por isso que nós estamos aqui”, afirmou, frisando que estava se sentindo em casa.

Osni Gonçalves: É maravilhoso, uma forma de a gente colaborar com as pessoas que têm necessidade”.

Outro voluntário que participa da história do Abrigo Fraternal desde o seu nascimento é o advogado Elidiel Poltronieri, um dos secretários da unidade de acolhimento. Ele contou que acompanha os trabalhos desde o início da construção, em 2006, e da constituição da entidade, em março de 2007. As obras foram concluídas no final de 2010 e, em março de 2011, começaram as atividades de acolhimento. 

Evangélico frequentador da CCB, Poltronieri recorda bons momentos e experiências espirituais vividas junto aos idosos abrigados, ainda nos primeiros tempos.

“Já vimos muita coisa linda acontecer lá, desde os primeiros idosos que foram abrigados. Uma das primeiras idosas que foram acolhidas ali era uma senhorinha mineira com 98 anos de idade, que não conhecia a Congregação. Logo em seguida, começamos a fazer os cultos, duas vezes por semana, e ela se converteu e pediu batismo ali. Foi a primeira batizada do Abrigo Fraternal”, relatou com certo entusiasmo.

Disse ainda que pretende continuar trabalhando para ajudar em tudo o que for necessário nessa “obra de amor, de acolhimento e carinho com os nossos idosos”, ressaltando que as campanhas de voluntariado eram realizadas ainda no início das atividades.

“Na época em que o abrigo ainda estava em fase de construção nós já fazíamos campanha para as pessoas contribuírem voluntariamente com o caixa, atendendo as necessidades da construção. Depois que começaram as atividades, continuou esse trabalho de associado contribuinte. Na época, nos primeiros anos, nós chegamos a ter mais de 350 associados contribuintes. Atualmente, esse número caiu para baixo de 50 contribuintes. Então, os contribuintes atuais, até mesmo os da própria diretoria, contribuem com valores mais expressivos para conseguir ajudar na manutenção do caixa, das despesas”, explicou. 

Ainda segundo Poltronieri, atualmente a instituição conta com 27 funcionários e acolhe 30 idosos. O custo mensal de manutenção ultrapassa R$ 120 mil. Ele esclarece que as doações recebidas pela entidade ocorrem principalmente na forma de alimentos e materiais de limpeza. Daí a necessidade de realização dos eventos beneficentes, para que o caixa permaneça alguns meses no azul, porque “vira e mexe ele entra no vermelho”. 

“Então é muito importante as pessoas se sentirem sensibilizadas com essa obra de amor e contribuírem, mesmo que seja de forma esporádica, para que a gente tenha uma condição de atender bem os nossos idosos”, concluiu.

Elidiel Poltronieri: “Já vimos muita coisa linda acontecer lá, desde os primeiros idosos que foram abrigados”.

Empenhado em servir as mesas e recepcionar os convidados, o também secretário da instituição, Israel Patini, faz uma rápida pausa para responder às perguntas da Mídia Ambiental.

Segundo ele, além de promover a confraternização e a união das famílias, ações como essa oferecem mais oportunidade de as pessoas conhecerem melhor o funcionamento de uma casa de idosos e se conscientizarem a favor da causa.

“É um momento único, uma troca de mercadoria. Alguém vem comprar alguma coisinha em prol do abrigo e vai levar um pouquinho de união, de carinho, de amor, de família. Acho que isso é o que mais importa hoje em dia, é ter esse amor, essa união entre famílias”, ressaltou.

Destacou ainda que a iniciativa ajuda a aprimorar a estrutura existente para oferecer um atendimento digno aos idosos, “que tanto lutaram pela família, tanto sofreram, que às vezes deixaram até de comer e agora estão precisando do nosso carinho e do nosso apoio”.

Israel Patini: a ação beneficente oferece um momento único, promovendo amor, carinho e união entre famílias.

“A parte mais importante é a espiritual”

Devido ao alto custo de sua estrutura operacional, talvez o Abrigo Fraternal não tivesse condições de realizar, sozinho, um evento desse porte, preparado para atender centenas de pessoas. Além da locação do espaço, somam-se itens como a locação de mesas e cadeiras, mão de obra para o preparo dos alimentos e equipes de apoio em geral.

Portanto, para que essa confraternização anual aconteça, há uma grande mobilização entre os gestores da entidade, os voluntários e demais simpatizantes – a maioria formada pela comunidade cristã – que não medem esforços em apoiar a causa.

O resultado foi a colaboração de todos, por meio da compra simbólica dos convites, da doação de carnes, da disponibilização de um caminhão para o transporte das mesas e cadeiras cedidas, além do trabalho voluntário na cozinha, no serviço do almoço e nos demais atendimentos aos convidados. 

Essa mobilização coletiva é muito importante para a subsistência do projeto, segundo Nelson Vido, presidente da casa de idosos. Com entendimento semelhante ao dos demais entrevistados, ele ressaltou a relevância de tudo o que foi feito para o sucesso do empreendimento solidário e destacou a espiritualidade das pessoas como a parte mais importante do evento.

“Tudo que foi feito aqui hoje foi como doação. Nós conseguimos doação de carne, de tudo. Até o material que está sendo vendido, tudo foi doado. Os irmãos já estão acostumados a comprar [o convite] e têm prazer em vir e fazer uma confraternização”, salientou.

“Eu diria que a parte mais importante é a parte espiritual. Tanto é verdade que, no nosso meio, 90% das pessoas que estavam aqui são pessoas que estão na igreja, buscando a Deus e, em função disso, elas vêm para poder fazer a piedade. Hoje tinha, só de voluntários da cozinha, 34 mais 6 pessoas aqui da região. 40 pessoas trabalhando gratuitamente”, ressaltou.

Vido ainda relatou que, além dos 30 idosos, o abrigo mantém 27 funcionários. O alto custo gera a necessidade de promover os eventos anuais, para ajudar na cobertura das despesas.

Ele frisou que todo o dinheiro arrecadado entra na conta do Abrigo para subsidiar os idosos que não têm condição de custear sua permanência. 

“Alguns podem pagar, não são muitos. No máximo, uns 20% podem pagar um valor maior. E os que não podem pagar, nós aceitamos eles lá. De repente eles ganham um salário, os filhos às vezes colaboram com alguma coisinha. Mas o custo de cada idoso não é muito baixo, é um custo por volta de 4 mil reais. São seis refeições por dia, todo aparato. Tem remédios, tem médico que faz consulta, tem atividades cognitivas para eles. Tudo isso gera despesa”, explicou.

No entanto, o presidente revelou que o maior volume de recursos é destinado à folha de pagamento dos profissionais técnicos responsáveis pelos cuidados diretos aos idosos, que precisam cumprir uma escala de trabalho fixa, diferente do voluntariado.

“Nós não temos condições de ter voluntários, porque voluntários têm dias em que podem e dias em que não podem. Lá não tem como ser um dia sim e outro não, porque as pessoas que estão lá precisam de atividades, de higienização, de banho e de remédio todos os dias. Por isso temos esse grande volume de funcionários. Praticamente é um por idoso, como se fosse um cuidador particular”, observou, referindo-se à necessidade de profissionais fixos para garantir os cuidados diários aos idosos.

Nelson Vido: A parte mais importante é a espiritual, que movimenta as pessoas com amor e piedade.

Sobre o Abrigo Fraternal

A Associação Beneficente Abrigo Fraternal está situada numa área verde, na Rua Nove, nº 1284 (Km 55,5 da Rodovia Índio Tibiriçá), Jardim do Lago, em Suzano, cidade do Alto Tietê. A unidade de acolhimento mantém um projeto de adoção por meio do qual uma pessoa voluntária pode adotar simbolicamente um idoso e ajudá-lo mensalmente. 

Para mais informações, os interessados devem entrar em contato pelo número 11 96412-4971 ou 11 2228-2004. O lar promove uma campanha de doação permanente através da chave Pix (CNPJ) 08.800.746/0001-91. Acesse as páginas do Instagram ou do Facebook da entidade e conheça melhor as atividades da instituição.

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