Setembro é flor, setembro é cor, setembro é libras, setembro é amor
Por Wilma Maria Moraes
Globalmente, no ano de 1999, um evento marcante trouxe ressignificação para a população surda: a Cerimônia da Fita Azul. O evento teve o propósito de converter uma cicatriz de submissão e dor em um emblema de celebração e honra à cultura surda.
A campanha do Setembro Azul simboliza a sensibilização, a notoriedade e a luta na promoção da defesa dos direitos e da acessibilidade da população surda.
O significado da cor azul e seu berço histórico: Durante a Segunda Guerra Mundial (1º de setembro de 1939 a 2 de setembro de 1945), como parte de sua política de segregacionismo, o governo nazista rotulava pessoas surdas e com deficiência utilizando faixas ou fitas azuis, tratando-as como “seres inferiores”.
“Segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o mês reúne datas históricas fundamentais para a luta dos surdos:
- 6 a 11 de Setembro de 1880: Congresso de Milão. Este foi um momento lamentável para a comunidade, pois o congresso determinou a proibição do uso e do ensino das Línguas de Sinais na educação dos surdos, dando preferência ao método oral.
- 9 de Setembro de 2009: Ocorreu, em 25 dos 26 estados brasileiros, o Seminário Nacional em Defesa das Escolas Bilíngues para Surdos.
- 20 a 26 de Setembro: Semana Internacional dos Surdos. Desde 1958, a Federação Mundial dos Surdos (WFD) celebra anualmente uma semana dedicada à conscientização acerca da história dos surdos, das Línguas de Sinais, da educação e da cultura surda.
- 23 de Setembro: Dia Internacional da Língua de Sinais.
- 26 de Setembro: Dia Nacional do Surdo. Em 1857, foi fundada, no Rio de Janeiro, a primeira escola de surdos no Brasil (atualmente o Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES).
- 30 de Setembro: Dia Internacional do Surdo e Dia Internacional do Profissional Tradutor e Intérprete.
No Brasil, o período serve para valorizar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e cobrar políticas públicas”.
Em virtude de que se marginaliza a população surda no tocante a um item de primeira necessidade? Isto é, o direito ao universo da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua materna nas diretrizes educacionais.
Em todos os documentos que integram o ordenamento jurídico relativamente à condição da pessoa surda, há uma lacuna de orientação. Essa falta de diretrizes revela a ausência de mecanismos que atestem o direito ao acesso e ao conhecimento da Libras na primeira infância (0 a 6 anos) — especificamente nos primeiros cinco anos de vida — na rede pública de educação bilíngue.
Podemos observar um ponto importante: os textos sinalizam o português como segunda língua (L2). Ainda assim, a garantia de consolidação da língua portuguesa como L2 assevera que o idioma inicial e primordialmente estabelecido deve ser a Libras.
Inúmeras indagações poderiam descrever a insuficiência do debate sobre a gestão de línguas para a comunidade surda no contexto da escola inclusiva.
A mudança assertiva na educação inclusiva dos surdos deverá assegurar que o poder público garanta o acesso a tecnologias assistivas, bem como a presença do tradutor e intérprete de Libras.
Consequentemente, a Libras deve ser formalmente reconhecida como meio legal de comunicação e expressão, e não meramente como uma linguagem.
“Ressignificar é desenlaçar os nós do tempo e transformar o passado em laçarotes de bom grado.” — Instituto de Projetos Educacionais e Sociais (Ipes), setembro de 2026.
Wilma Maria Moraes é presidente fundadora do Instituto de Projetos Educacionais e Sociais do Grande ABC.
