Setembro Verde Esperança no Grande ABC
Por Wilma Maria Moraes
Sob a ótica do Ministério da Saúde, a maior estrutura pública de transplantes de órgãos e tecidos do mundo é sediada no Brasil. Ainda assim, a relação entre a oferta e a procura gera um impacto desafiador no atendimento ao público-alvo.
Atualmente, a Lista Única do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) contabiliza mais de 50 mil brasileiros cadastrados. Lamentavelmente, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), 4.102 pessoas faleceram neste ano enquanto aguardavam por um procedimento.
O principal fator limitante para a efetivação das doações é a recusa familiar, que atinge até 45% das entrevistas realizadas. Longe de propor críticas, nosso objetivo é pleitear uma oportunidade junto ao Governo Municipal para que a região reassuma o protagonismo no Grande ABC como instituição de referência na notificação e captação de órgãos e tecidos. https://fuabc.org.br/noticias/chm-ocupa-1o-luhttps://fuabc.org.br/noticias/chm-ocupa-1o-lugar-em-notificacao-e-captacao-de-orgaos-no-grande-abc/
Visando compreender a fundo esses aspectos e experiências, o Instituto IPES desenvolveu uma pesquisa intitulada “Investigação Fenomenológica da Experiência Subjetiva para a Compreensão Psicológica das Razões que Levam Famílias Brasileiras a Recusarem a Doação de Órgãos e Tecidos”.
O propósito do estudo foi analisar as vivências dos entrevistados a partir de seus relatos puros, sem a interferência de preceitos teóricos rígidos ou preconceitos. O grupo final foi composto por 54 participantes pertencentes ao núcleo familiar de potenciais doadores.
Os achados demonstraram, de forma cristalina, que a incredulidade em relação ao sistema de transplantes despontou como uma definição invariável e frequente nos depoimentos, aumentando consideravelmente. No conjunto de definições variáveis, manifestaram-se dilemas complexos, tais como: a cronicidade do sofrimento familiar, o receio de decidir, a percepção de desigualdade, a inércia psicológica, o sentimento de desconsideração, a intimidação e o luto.
Essas dinâmicas do sentir e do pensar — estritamente vinculadas à consciência, à sobrecarga emocional e ao impulso de autopreservação — convergem e esclarecem a forte oposição dos familiares acerca do consentimento para a doação.
Diante do exposto, idealizamos uma dinâmica de grupo inovadora voltada para equipes interdisciplinares. Essa técnica fornece subsídios fundamentais para rever as práticas vigentes e as políticas públicas, apontando caminhos e novos métodos capazes de robustecer a confiança organizacional no sistema de transplantes brasileiro e, consequentemente, alavancar o número de doações.
Sabemos exatamente como intervir, pois somos pioneiros na própria fundamentação desse tema complexo. Conhecemos o caminho para transformar essa realidade.
“Um dia, quando as minhas pétalas caírem, gostaria de transferir todo o meu perfume para as outras flores.” Incentive a doação de órgãos e tecidos hoje.
Wilma Maria Moraes é presidente fundadora do Instituto de Projetos Educacionais e Sociais do Grande ABC.
