Panela Indígena do Grande ABC
Por Wilma Maria Moraes
A nossa remota lembrança do desbravamento do Brasil conduz-nos à chegada dos portugueses com seus ardilosos encantos em nossa terra. Todavia, os pioneiros foram os indígenas.
No final do século XV (1401-1500) os indígenas habitavam o Brasil muito antes da chegada dos europeus e revelavam um fator comum na conduta da economia alimentar, qual seja, a atividade coletora no período anterior à colonização.
A mãe natureza garantia a subsistência nas ações de colheita dos vegetais e na caça e pesca dos animais. As plantações estavam sujeitas aos diferenciados estados de escoadura e manifestação ambiental.
Todavia, a técnica de plantio possuía alto grau de requinte e consequentemente elaboravam barreiras biológicas que dizimavam as futuras pragas e patologias pela mobilidade genética das substâncias de lavra e da variação dos gêneros cultivados, com tal força que não encontramos alusão de apuros enfrentados pelas comunidades indígenas por escassez de alimentos, devido acometimento de alguma inesperada doença ou praga.
Naquela época o sal era subtraído da vegetação, onde as palmeiras eram incendiadas e as cinzas fervidas, com o intuito de conseguir o sal pardo.
Há algum tempo, o Instituto Ipes tem destacado o papel da culinária indígena, com o projeto ‘Amazonas: Sabores e Saberes’, apresentado na região do Grande ABC.
Cumpre-nos ressaltar: a principal magnitude é descobrir por meio da culinária que a cultura indígena sempre esteve presente em nosso cotidiano, sinalizando assim que o passado faz parte do presente e o presente pertence ao passado.
E também revelar que o alimento é um elo entre as pessoas, ele traz a oportunidade de descobrir os sabores e ao mesmo tempo proporciona a sabedoria de estarmos interligados com a nação indígena, despertando em nós a diligência do conhecimento da trajetória do povo pioneiro no território nacional e sua reprodução cultural, social e ideológica.
A gastronomia é milenar e todos os povos têm os seus encontros, suas reuniões, suas festas e comemorações, desfrutando da comida da mesma maneira em todos os continentes, tal e qual, uns dos fatores principais desses momentos. E essa é a oportunidade de demonstrar que a cultura indígena faz parte do nosso dia a dia.
O tema de Redação do ENEM 2022: Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais do Brasil, é a validação de um trabalho assertivo, num momento favorável para um grande debate no Grande ABC.
Ainda assim, como de costume, queremos ousar um pouquinho mais. Nossa ideia é a criação de um novo Projeto de Lei, que será apresentado brevemente.
Wilma Maria Moraes é presidente fundadora do Instituto de Projetos Educacionais e Sociais do Grande ABC.
