Educação comportamental de pets: quando o amor e a técnica se convergem no cuidado com os animais 

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Educação comportamental de pets: quando o amor e a técnica se convergem no cuidado com os animais

Em entrevista concedida ao jornal, Aline Fidelis, educadora comportamental canina premiada como melhor pet sitter de Santo André, fala sobre sua trajetória, desafios da profissão e o cuidado responsável com os animais 

Apaixonada por cães e gatos desde criança, Aline procura deixá-los tranquilos e confortáveis - Fotos: arquivo pessoal

Samuel Ferreira

Moradora de Santo André e apaixonada por animais desde a infância, a educadora comportamental canina Aline Fidelis transformou sua vocação em profissão, conciliando amor e técnica no cuidado com cães e gatos. Formada em Administração de Empresas e especializada em Recursos Humanos, a dog walker e pet sitter encontrou nos pets uma nova jornada de vida. Para isso se especializou com os cursos disponíveis na área.

Recentemente, seu trabalho foi reconhecido com o prêmio de melhor pet sitter da cidade, após pesquisa de opinião pública. Segundo ela, o destaque é resultado da confiança de seus clientes e da dedicação em procurar oferecer cuidado responsável e afetuoso aos animais.

Ela ainda defende um trabalho maior de conscientização e adoção responsável na cidade, dada a quantidade de animais abandonados nas ruas. Também propõe a castração desses animais, para diminuir a população. Conheça mais sobre seu importante trabalho nesta entrevista concedida ao jornal Mídia Ambiental.

Mídia Ambiental: Qual é a sua profissão? Qual o seu nome completo, idade e cidade onde mora? 

Aline Fidelis: Meu nome é Aline Fidelis Esteves da Cunha, tenho 46 anos, moro em Santo André e hoje atuo como Educadora Comportamental Canina, Dog Walker (passeadora de cães) e Pet Sitter (babá de pets).

Mídia Ambiental: Há quanto tempo trabalha com pets? Qual o nome da empresa onde você trabalha? Você é a proprietária?

Aline Fidelis: Trabalho com os pets desde junho de 2022. Presto serviços como MEI e a empresa está em meu nome.

Mídia Ambiental: Quais as atividades executadas por uma educadora comportamental canina? Esse é o termo correto de adestradora de animais?

Aline Fidelis: Adestradora e educadora comportamental canina têm função um pouco distinta. No adestramento ensinamos comandos de obediência: “senta”, “deita, fica…”, e em alguns casos truques, porque famílias se identificam. Já a educadora comportamental tem um outro olhar para os problemas comportamentais. 

Ensinamos sim, comandos de obediência, porque são importantes para o equilíbrio do cão, mas temos que analisar tudo que envolve o pet: ambiente, perfil familiar, rotinas da casa, porque tudo envolve o psicológico do mesmo. Quando sou contratada pela família, sou bem transparente em dizer que eles participarão dos treinos e que dou suporte via Whatsapp, porque cães são seres vivos, cada um tem seu perfil, apesar de, às vezes, terem a mesma raça.  

Mídia Ambiental: Qual sua formação profissional?

Aline Fidelis: Sou formada em Administração de Empresas e me especializei em recursos humanos. Na área dos pets, minha base vem de cursos com profissionais mais experientes na área. Estou sempre buscando conhecimento e gosto de fazer cursos com profissionais com metodologias diferentes, porque acredito que não existe o 100% certo ou errado. Temos que nos moldar naquilo que o cliente precisa, buscando o bem-estar de todos. Somente lembrando: no Brasil, a profissão ainda não é muito reconhecida, é uma profissão não regulamentada.

Mídia Ambiental: O que te motivou a trabalhar com cães? Trabalha somente com cães?

Aline Fidelis: Sou apaixonada por cães e gatos desde criança. Meu sonho era ser veterinária, mas a vida me levou para outros horizontes. Em janeiro de 2022 meu pai faleceu e essa perda foi muito difícil para mim. Sou uma pessoa que busca a felicidade constantemente, mas naquele momento estava muito difícil. Foi aí que surgiu a ideia de iniciar um trabalho de pet sitter, já que eu fazia um pouquinho do trabalho para conhecidos, por hobby.

Paralelamente, comecei estudar comportamento canino, porque percebi que teria que cuidar dos pets com outro olhar, porque ser pet sitter vai além das necessidades básicas e dessa ideia surgiu a motivação de ajudar famílias em suas jornadas com seus filhos de 4 patas.

Não sou especialista em gatos, mas devido ao meu amor e cuidado com eles, houve uma grande procura de atendimentos felinos também. Então o meu trabalho de pet sitter se estende aos felinos.  

Aline atua como Educadora Comportamental Canina, Dog Walker (passeadora de cães) e Pet Sitter (babá de pets)

Mídia Ambiental: Descreva como é o seu trabalho, sua rotina?

Aline Fidelis: De segunda a sexta, organizo minha agenda para meu serviço de dog walker e atendimento de famílias dos cães com problemas comportamentais. Os passeios só ocorrem com cães da minha região e os serviços de adestramento atendo em Santo André e cidades vizinhas, como Mauá, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema.

Pet sitter é um serviço que acontece o ano todo, de forma mais branda, pois a maior procura é em alta temporada. Mas, sempre que necessário, consigo conciliar a agenda, uma vez que meus clientes fixos – que seriam os de passeios – me ajudam na flexibilidade de horários, para atender melhor a necessidade dos pets que estão longe da família. 

Meus clientes são meus grandes parceiros. Com certeza minha transparência ajuda muito para que eles entendam minha preocupação com os pets que precisam de cuidados, que estão sozinhos e sabem que, se um dia eles precisarem da mesma dedicação, farei o mesmo, porque minha preocupação é deixar o pet o mais tranquilo e confortável possível, na ausência dos seus donos.

Mídia Ambiental: Fale sobre o prêmio de melhor pet sitter que ganhou, qual a data da premiação e qual entidade conferiu a premiação a você? Descreva os critérios para esse reconhecimento e fale porque a premiação foi importante para você?

Aline Fidelis: Essa premiação ocorreu no dia 19/05/2026 por intermédio da agência Midaz. A empresa faz uma pesquisa de opinião pública nas redes sociais e premia as melhores empresas ou profissionais liberais da cidade. Me surpreendi, porque não sou uma profissional que investe em redes sociais e que não me preocupo com a concorrência, porque é um campo de trabalho que tem bastante procura e acredito que tem lugar para todo mundo.

Mas, de repente, uma cliente me marcou na votação, aproveitei para repassar para outros clientes, já que estava “no barco” e fui a mais votada. Acredito que, devido ao trabalho de divulgação da agência, haverá uma procura maior nessa parte do meu trabalho e ficarei muito feliz por poder compartilhar meu amor e cuidado com novas famílias. 

Mídia Ambiental: A senhora é casada ou solteira? Tem filhos?

Aline Fidelis: Sou divorciada e tenho a Gabrielle. Minha filha tem 17 anos. 

Mídia Ambiental: Quais as dificuldades que enfrenta no exercício da sua profissão e, na sua visão e experiência, o que deveria melhorar para melhor atendimento aos pets da cidade?

Aline Fidelis: Atualmente a maior dificuldade que tenho na profissão é na área comportamental. A realidade dos cães mudou. Hoje colocamos eles em apartamentos ou até mesmo em casas, com as melhores comidas, as melhores caminhas, compartilhamos o sofá, camas… É tudo muito maravilhoso para nós. Mas, e para eles? Tem que haver um equilíbrio, para que a saúde mental do cão não seja afetada.

A maior dificuldade é conscientizar e criar rotinas dentro da realidade da família, para trabalhar a parte cognitiva, onde ajudará a mente e o físico do pet. Na minha opinião, essa parte do trabalho demanda bastante empatia, paciência, persistência e parceria. 

Aproveitando a oportunidade, gostaria de falar sobre a tristeza que sinto ao ver a quantidade de animais abandonados em Santo André. Sei que são muitos animais, mas acredito que fazer um trabalho de conscientização e preparação para as adoções responsáveis seria interessante, porque quem não quer ter responsabilidade e conscientização dos prós e contras, já desistirá da adoção. 

Além disso, fazer um trabalho de castração de animais de rua, para diminuir a população. Porque é um problema sem fim e, infelizmente, eles não sabem falar e muito menos se prevenirem para que a população não cresça. Se nós, que temos consciência do problema, não fizermos mais, ficará cada vez mais complicado administrar.

Mídia Ambiental: Qual a sua opinião referente ao Projeto de Lei do Senado Federal que propõe a proibição de algumas ferramentas de trabalho (PL 1146/2023)?

Aline Fidelis: Esse projeto surgiu com a intenção de ajudar os animais referente a maus tratos. Porém, haverá grandes consequências. Colar eletrônico, guia unificada, colar de garra… são ferramentas excelentes, contanto que sejam utilizadas com conhecimento adequado e responsabilidade.    

Ao meu ver, cães com problemas mais potencializados não conseguirão ser inseridos na sociedade e, se a lei for aprovada, muitos animais serão eutanasiados.

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