COP17 da Desertificação reúne países na Mongólia em busca de soluções para restaurar terras e enfrentar a seca
A 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD) será realizada de 17 a 28 de agosto de 2026, em Ulaanbaatar, na Mongólia.
O encontro reunirá representantes de diferentes países para negociar medidas de enfrentamento à desertificação, à degradação das terras e aos impactos provocados pelas secas, em um cenário de crescentes desafios ambientais e climáticos.
A UNCCD integra o tripé das grandes convenções ambientais internacionais criadas a partir da Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992, ao lado das convenções das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e Biodiversidade.
Diferentemente da COP do Clima, realizada anualmente, a Conferência das Partes da Convenção de Combate à Desertificação ocorre a cada dois anos e concentra esforços na recuperação de terras degradadas e na construção de soluções para regiões afetadas pela seca.
A edição de 2026 acontece em consonância com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, iniciativa que busca ampliar a atenção sobre ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental e para a sobrevivência de milhões de pessoas.
As pastagens ocupam mais da metade da superfície terrestre e sustentam cerca de 500 milhões de pessoas, mas enfrentam perda acelerada de produtividade e degradação, ameaçando a biodiversidade e os meios de subsistência de comunidades.
Com o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança.”, a COP17 pretende impulsionar ações urgentes diante de um cenário em que a degradação já afeta até 40% das superfícies terrestres do planeta.
Entre as prioridades estão o fortalecimento da restauração de áreas degradadas, o combate aos efeitos das secas, a recuperação da produtividade dos solos e a promoção de práticas sustentáveis de manejo da terra.
Outro desafio está relacionado à segurança alimentar e hídrica. A degradação dos solos compromete a produção de alimentos, reduz a disponibilidade de água e aumenta a vulnerabilidade de comunidades rurais, especialmente em regiões que enfrentam longos períodos de estiagem.
Por isso, a conferência busca estimular a cooperação internacional e a adoção de políticas capazes de unir conservação ambiental, desenvolvimento sustentável e redução das desigualdades.
A participação brasileira na COP17 será coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e pelo Ministério das Relações Exteriores. O país levará à conferência temas relacionados ao combate à desertificação, à recuperação de áreas degradadas e à segurança hídrica, além de promover atividades no Pavilhão Brasil para compartilhar experiências e fortalecer a cooperação internacional.
Para o Brasil, o enfrentamento da desertificação é considerado estratégico, principalmente nas regiões semiáridas e subúmidas secas, com atenção especial à Caatinga. A recuperação de áreas degradadas e o uso sustentável dos recursos naturais são fundamentais para fortalecer a segurança alimentar e hídrica, proteger comunidades vulneráveis e cumprir compromissos ambientais internacionais.
Em Ulaanbaatar, a COP17 será uma oportunidade para transformar o debate global sobre degradação da terra em ações concretas de restauração e adaptação.
