Respeito, natureza e parceria: lições de uma atleta que representou o Brasil no Mundial de  Canicross 

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Respeito, natureza e parceria: lições de uma atleta que representou o Brasil no Mundial de Canicross

Andréia: o canicross nos faz mais preocupados com o bem-estar físico e mental dos nossos cães - Arquivo pessoal

Por Samuel Ferreira

Microempresária do ramo pet e tutora de 10 cães, 9 deles adotados, Andréia Ribeiro encontrou na corrida com seu cão uma nova forma de viver. Moradora de São Bernardo do Campo, ela trocou as corridas de rua pela trilha compartilhada e descobriu no canicross muito mais que esporte.

De uma Beagle em 2019 ao Braco Alemão Woody, sua dupla atual, ela superou a reatividade, ganhou condicionamento e levou o nome do Brasil a dois Campeonatos Mundiais, na Itália e na República Tcheca. Nesta entrevista, ela fala sobre vínculo, segurança e guarda responsável. 

Jornal Mídia Ambiental: Qual é o seu nome, idade, profissão e em qual cidade você mora? Como você conheceu o canicross e o que despertou seu interesse pela modalidade?

Andréia Ribeiro: Me chamo Andréia Ribeiro, tenho 49 anos, sou microempresária do ramo pet, tenho uma creche e hospedagem para cães, moro em São Bernardo do Campo, São Paulo.

Minha prima, que é veterinária, me apresentou ao Canicross, eu já corria corrida de rua e encontrei no esporte uma forma de agregar mais atividade física aos meus cães. Unir corrida com cachorro era a combinação perfeita para mim.

Mídia Ambiental: Quantos cães você tem e qual deles pratica canicross com você? Há quanto tempo vocês praticam juntos?

Andréia Ribeiro: Tenho no total 10 cães. Dos 10 cães, 9 são adotados.

Iniciei no Canicross em 2019 com minha Beagle Dori, corremos juntas por 6 meses, depois veio minha Border Collie Charlotte, que preferiu correr solta, corremos por 1 ano, em 2022 adotei o Woody, um Braco Alemão, que é minha dupla até hoje.

Além deles, tenho outros 4 atletas caninos que praticam com meu marido e minha filha mais nova.

Mídia Ambiental: O que o canicross representa na sua vida e quais benefícios você percebe para sua saúde, bem-estar e qualidade de vida?

Andréia Ribeiro: Canicross, para mim, vai muito além de correr com cachorro, representa sintonia, parceria, vínculo com meu cão.

Além dos benefícios físicos que a corrida traz, tem benefícios psicológicos, pois é praticado em meio à natureza, benefícios de adestramento e aumento de vínculo com meus cães.

Mídia Ambiental: Quais mudanças você percebeu na saúde, no comportamento e na qualidade de vida do seu cão depois que vocês começaram a praticar a modalidade?

Andréia Ribeiro: Falando especialmente do Woody, minha dupla até hoje, ele tinha problemas de reatividade com outros cães e até com humanos. Logo que iniciei a praticar com ele, seu comportamento mudou completamente. Além de totalmente atento aos meus comandos, ele melhorou sua capacidade cardiorrespiratória, teve ganho de músculos e o problema de reatividade foi totalmente sanado.

Mídia Ambiental: Na sua opinião, quais são os principais benefícios do canicross para fortalecer a relação entre o tutor e o animal?

Andréia Ribeiro: No Canicross, o cão que dita o ritmo da corrida, ele está SEMPRE à sua frente ou no máximo ao seu lado. Isso faz com que os comandos de direção que o humano precisa ordenar sejam atendidos prontamente. Isso faz com que o vínculo aumente e muito. E, com a prática, isso acontece naturalmente, pois é um prazer para o cão servir ao seu humano. Além de ser uma experiência incrível para o cão praticar uma atividade com seu humano e em meio à natureza, eles se sentem realizados.

Mídia Ambiental: Como você escolhe os percursos para correr e quais cuidados são importantes para garantir a segurança e o bem-estar do cão durante a atividade?

Andréia Ribeiro: Os percursos são sempre visitados sem cão antes de iniciarmos um treino de Canicross. Pontos como animais peçonhentos, erosões, pista com muitos cascalhos são observados para o bem-estar dos cães. O esporte é sempre pensado para eles, pela segurança deles.

Mídia Ambiental: O que nunca pode faltar durante um treino ou corrida? Existem equipamentos ou cuidados específicos que você considera indispensáveis?

Andréia Ribeiro: O que nunca pode faltar é o respeito pelo cão. Não corremos quando a temperatura ambiente está acima de 24º, não corremos se meu cão apresenta algum desconforto. Só corremos com o cão em jejum, para evitarmos a torção gástrica, por isso nossa atividade é realizada bem cedo, ou com no mínimo 4 horas da refeição dele.

Equipamentos são obrigatórios para a prática. Utilizamos uma cinta humana, para corrermos com as mãos livres, o cão utiliza o arnês, que é um colete de tração, esses dois equipamentos são unidos por uma guia elástica que evita trancos no cão e no humano.

Mídia Ambiental: Qual foi a maior distância que vocês já percorreram juntos e você já participou de alguma competição ou evento que tenha marcado sua trajetória?

Andréia Ribeiro: No Canicross, as distâncias variam de 2 km a no máximo 7 km. Já fizemos 7 km juntos. Participamos de 2 Campeonatos Mundiais, em 2024 em Bardonecchia, na Itália, e em 2025 em Pardubice, na República Tcheca.

Foi emocionante mostrar o Canicross Brasileiro para a Europa, berço do Canicross no mundo. Representar o Brasil no campeonato mais importante da minha modalidade foi indescritível, e poder viver isso ao lado do meu cão teve uma emoção ainda maior.

Mídia Ambiental: Você acredita que o canicross contribui para a conscientização sobre a guarda responsável dos animais? Como sua família e seus amigos enxergam essa prática?

Andréia Ribeiro: Com certeza, o Canicross nos faz proprietários mais cuidadosos, mais conscientes e mais preocupados com o bem-estar físico e mental dos nossos cães. Abre nossos olhos quanto à saúde dos nossos cães, à importância de um vínculo e cuidado diário. Minha família e meus amigos apoiam e seguem o esporte.

Mídia Ambiental: Você pretende incentivar mais pessoas a conhecerem o canicross? Que conselho daria para quem deseja começar a praticar o esporte com seu cão?

Andréia Ribeiro: Hoje eu, além de atleta atuante, também dou aula de Canicross para iniciantes e atletas que querem ir além.

O que eu diria para quem quer iniciar no Canicross é: em primeiro lugar, um check-up veterinário, saber se a saúde física do seu cão está em dia para iniciar no esporte, depois, não tenha pressa de começar a correr. o Canicross inicia com o vínculo, exercícios de comandos e por último a corrida propriamente dita.

Mídia Ambiental: Quais as suas redes sociais, para divulgação do seu trabalho (se quiser divulgar)?

Andréia Ribeiro: Quem quiser saber mais sobre o esporte, meu Instagram é @andreiaewoody. Lá eu, além de mostrar minha rotina de treino com meus cães, também dou dicas de como iniciar com cães adultos ou filhotes.

Para Andréia, foi emocionante mostrar o Canicross Brasileiro para a Europa, berço do Canicross - Juki (Canicross em Foco)

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