Individualização da água em condomínios: economia, consumo consciente e cobrança mais justa

Poá Sustentabilidade

Individualização da água em condomínios: economia, consumo consciente e cobrança justa

A individualização do consumo de água em condomínios tem se consolidado como alternativa para garantir cobrança mais justa e reduzir em até 30% o valor da conta, ao substituir o rateio coletivo pelo pagamento proporcional ao uso de cada unidade

Alfredo Abreu: além da economia, individualização do consumo de água é sustentabilidade e justiça social - Arquivo pessoal

Por Samuel Ferreira

A individualização do consumo de água em condomínios tem se consolidado como uma alternativa para promover uma cobrança mais justa, estimular o consumo consciente e permitir que cada morador tenha maior controle sobre seus gastos. O sistema é especialmente procurado por edifícios antigos, construídos antes da legislação que estabeleceu a obrigatoriedade da individualização nos novos empreendimentos.

Embora atualmente não exista um aumento considerado significativo na procura pelo serviço, o mercado acompanha, de maneira geral, o crescimento da construção civil. A demanda também é influenciada pelas exigências legais aplicadas aos novos empreendimentos, nos quais a estrutura hidráulica precisa atender às normas para que o imóvel possa obter o Habite-se.

Para compreender melhor esse cenário e os impactos da individualização da água nos condomínios, o jornal Mídia Ambiental ouviu Alfredo Abreu, Diretor Comercial da Prisma – Consultoria e Serviços, empresa que atua no setor de individualização e medição do consumo de água em condomínios.

Além da questão econômica, a individualização pode produzir efeitos no comportamento dos moradores. Ao saber exatamente quanto cada unidade consome, o condômino passa a ter maior percepção sobre seus próprios hábitos e sobre o impacto financeiro do desperdício. O tema também pode ganhar espaço nas assembleias, estimulando discussões sobre economia e uso racional da água.

“O benefício social é o de que os moradores se autopolicem referente ao consumo de água, e isso ajuda na interação durante as assembleias, nas quais o assunto economia de água sempre entra em pauta”, afirma Alfredo Abreu.

Um dos principais resultados apontados pela empresa é a redução no valor das contas. A possibilidade de relacionar diretamente o pagamento ao consumo de cada unidade modifica a lógica do rateio coletivo, no qual moradores com padrões de utilização diferentes podem acabar pagando valores semelhantes.

Para a Prisma, portanto, o problema encontrado em condomínios que ainda utilizam o sistema coletivo não deve ser necessariamente tratado como um erro, mas como uma questão de justiça na distribuição dos custos. A individualização estabelece uma relação mais direta entre o volume consumido e o valor pago por cada unidade.

“Não são erros, são injustiças sociais referentes à cobrança ser igual para todos”, resume o diretor comercial.

A economia proporcionada pela individualização também é apontada como um dos fatores que despertam o interesse dos condomínios. A empresa estima uma redução média de 30% no valor da conta de água após a implantação dos hidrômetros individuais. O percentual, porém, pode variar conforme as características de cada empreendimento e os hábitos de consumo dos moradores.

A implantação não segue um prazo único. O tempo necessário depende principalmente do tamanho da edificação e das condições encontradas no local. Da mesma forma, a solução técnica precisa ser definida a partir de um projeto específico, já que cada condomínio apresenta características próprias em sua estrutura hidráulica.

“O tempo depende do tamanho da edificação, e as soluções dependem muito do projeto elaborado”, explica Abreu.

A manutenção dos equipamentos também faz parte da rotina dos condomínios individualizados. Um dos problemas mais comuns identificados nos hidrômetros é o travamento do equipamento. Por isso, a substituição costuma ocorrer aproximadamente a cada cinco anos, embora a necessidade efetiva dependa das condições de funcionamento de cada medidor.

A leitura dos hidrômetros é realizada por meio de aplicativo, com utilização de ferramentas como o Siscon. O procedimento inclui o registro fotográfico dos medidores, permitindo conferir posteriormente a informação registrada pelo profissional responsável pela leitura. Quando uma fotografia não apresenta qualidade suficiente para identificar a medição, o procedimento precisa ser repetido.

“A leitura é feita por aplicativo. Um deles é o Siscon. Se uma foto não estiver legível, o leiturista precisará refazer tudo novamente”, detalha o diretor comercial.

O registro fotográfico também está relacionado à transparência do processo. A Prisma informa que disponibiliza filipetas impressas aos clientes contendo a fotografia do medidor. Dessa maneira, o condomínio e os moradores podem ter acesso a uma referência visual da leitura realizada.

A empresa realiza atualmente a leitura de algumas dezenas de milhares de hidrômetros por mês. O volume envolve uma operação que precisa conciliar coleta de dados, registro das imagens, conferência das informações e posterior cálculo dos valores correspondentes ao consumo de cada unidade.

Outro ponto considerado pelos condomínios antes da contratação é o investimento necessário para a implantação. Não existe um valor único, pois o custo varia de acordo com o tamanho da edificação e com as características do projeto. A empresa também oferece possibilidade de negociação direta para o pagamento da implantação.

De acordo com a Prisma, a redução nas contas começa a aparecer a partir do segundo mês de funcionamento. Já o retorno do investimento realizado para a implantação é estimado em aproximadamente um ano. A empresa utiliza ainda depoimentos de clientes como uma das formas de apresentar aos síndicos os resultados alcançados por outros condomínios.

Entre os diferenciais apontados pela Prisma estão a existência de um departamento de obras próprio e a chamada segurança jurídica. Esses fatores são apresentados como elementos importantes para a execução dos projetos e para a relação da empresa com os condomínios contratantes.

A Zona Sul de São Paulo e a região do ABCD estão entre as áreas que apresentam maior demanda pelo serviço. No cenário mais amplo, o mercado de individualização acompanha o crescimento da construção civil, enquanto as exigências legais ajudam a consolidar o modelo nos novos empreendimentos.

Nos edifícios novos, a individualização deixou de ser apenas uma opção de gestão condominial e passou a integrar as exigências relacionadas ao projeto hidráulico.

“Já é um padrão para os novos construídos. Se não tiver a parte hidráulica atendendo à lei, simplesmente não sai o Habite-se”, afirma Abreu.

Para os próximos anos, a expectativa da empresa é de crescimento positivo, embora o desempenho do setor também esteja relacionado às decisões políticas e aos rumos da construção civil. Paralelamente, novas tecnologias começam a ser incorporadas ao segmento, com destaque para sistemas capazes de automatizar a transmissão dos dados de consumo.

A Prisma já negocia com desenvolvedores a implantação de um sistema de telemetria. A tecnologia poderá ampliar a automação das leituras e permitir o acompanhamento remoto dos hidrômetros, representando uma nova etapa na gestão individualizada do consumo de água.

A combinação entre medição individual, acompanhamento tecnológico e adequação às normas transforma a relação dos condomínios com o consumo de água. Para os edifícios antigos, o sistema representa uma possibilidade de modernização da gestão e de mudança na forma de distribuição dos custos. Nos novos empreendimentos, a individualização já integra o padrão exigido para a aprovação dos projetos hidráulicos.

Nos edifícios novos a individualização passou a integrar as exigências relacionadas ao projeto hidráulico - Divulgação

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